É a parte que me cabe

sábado, 25 de setembro de 2010

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és,
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

O poema aí acima é de Neruda. Chama-se Talvez e trata das dúvidas existenciais e do sentimento de entrega. Cai bem para as dúvidas que assolam o torcedor avaiano.

Os "historiadores" avaianos estão espalhando aí pelos seus blogs, na comunidade do Orkut, pelas ruas, esquinas, praças, locais de trabalho os relatórios das campanhas avanianas ao longo... ao longo de sua existência, digamos assim. Todo mundo tem uma história. As campanhas antigas, as campanhas recentes, o sentimento da garra, da bravura, os adjetivos, substantivos e verbos que denominam o Avaí.

Não há ninguém em Florianópolis, mesmo dentre os rivais, que não conheça o nosso hino, o quê representam aquelas frases, as que imputam ao nosso time o time da raça. E então surgem escalações apoteóticas, guerreiros magníficos, heróis épicos que já defenderam essas cores. Nunca houve dúvida do que o Avaí foi e representa no cenário do futebol catarinense. Temos a estirpe dos bravos.

Hoje, há dúvidas.

Não sabemos que destino será reservado ao Avaí Futebol Clube. E de que forma se construirá esse destino.

Se no passado sofremos as agruras do futebol, com derrotas acachapantes, campanhas ridículas, disputadas por elencos sofríveis, ainda assim o rapaz que lavava os uniformes reclamava do trabalho absurdo, uma vez que as malhas se apresentavam imprestáveis. As batalhas disputadas em campo era memoráveis. É o Avaí em campo? Isso é sinal de que teremos sangue sendo doado e suor sendo derramado. Se perderem, vão vender caro a derrota. Era assim que as pessoas viam uma partida de futebol jogada pelo Avaí.

E o que temos agora? Um bando de moleques que não honram sequer as calças que vestem, quanto mais valorizar o uniforme azul e branco que envergam.

Quero, sinceramente, que todos me digam que estou errado. Quero, honestamente, dizer que errei na avaliação. Desejo, muito, que se dê uma virada alucinante. Que um desses jogadores (?) me dê de dedo na cara. Mas a parte que me cabe é dizer que respeitem essa história e o nosso passado de glórias. Ao menos isso.

Não vou acompanhar o jogo. Estou farto de melindragens e frescurites. Minha taxa de stress está muito alta e não tenho mais paciência pra isso.

No jogo de domingo podemos ganhar bem, como perder normalmente. Faz parte do futebol. Mas espero que na segunda-feira, se formos derrotados, alguém diga: Perdemos, mas perdemos como bravos. Perdemos, mas jogamos como avaianos. É o que me basta!

6 comentários:

  1. Gerson Santos disse...:

    ALEXANDRE, eu e ninguém nessa cidade têm AVAIANIDADE suficiente para questionar esse seu posicionamento. Eu só queria 10% dessa sua revolta no elenco avaiano, só isso, e voltaríamos a lutar por degraus muito mais dignos ao nosso clube ainda nessa série A. Tá faltando sangue nos olhos dessa boleirada descomprometida!

  1. Adriano Assis disse...:

    Parabéns pela postagem! Tomei a liberdade de reproduzir ela no meu Blog.
    Adriano

  1. Meus caros, ser torcedor do Avaí é muito mais do que apenas ir a um estádio, vestir uma camisa azul, bradar o hino e gozar do advesário. É uma condição de vida, é loucura do coração. Nós sabemos disso. E a dor é muito grande quando delegamos a alguns que não sabem o que é isso.

  1. Seu Cunha disse...:

    Mas desde o inicio vivias vendendo o mesmo peixe estragado, hoje estão querendo te devolver e não queres pegar de volta.
    Como avaiano que és, tu mesmo jogas a toalha, como cobrar de quem (alguns jogadores) na verdade não tem o mesmo sentimento?
    É hora sim de todos estarem na Ressacada, mesmo que seja pra mostrar a nossa indignação.
    Abraços,

  1. Seu Cunha, eu sempre gostei de Fórmula Um. Vibrei por Senna, Piquet e até pelo Massa. Não tinha muita expectativa pelo Barrichelo. Desde a morte do Senna achava que o Massa poderia suprir essa falta. Até o dia em que ele entregou aquela corrida. Deixei de ver Fórmula Um, nunca mais assisti àquilo. O peixe se estragou pelo caminho.

  1. Felipe Matos disse...:

    Grande alexandre! talvez o "nosso" Neruda ajude a recomar (de novo!)2010:

    http://minhavidavai.blogspot.com/2010/09/recomecar-o-infinito.html

    ehehe

    Enfim, que amanhã, eles saibm nos respeitar!

    abs!

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