O momento da verdade

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Segue aí a famosa reflexão de Abraham Lincoln: "Podemos enganar alguns por todo tempo, todos por algum tempo, mas não podemos enganar todos por muito tempo... " É atribuída a Bismarck a seguinte frase: “quanto menos o povinho souber como são feitas as salsichas e as leis, mais dormirá tranquilo”. Há outras coisas na vida que, se vierem ao conhecimento público, faltará é estricnina para o suicídio.

Há algumas semanas eu enfatizava que o objetivo do Avaí neste ano era a Libertadores. E continuo com esta afirmação, embora os resultados recentes não comprovem a minha tese. Fazia, também, outra afirmação: ainda que acreditasse nessa projeção, a da Libertadores, continuaria a comer um caldinho de galinha. O caldinho da prudência. E porque isso? O que me leva a, mesmo afirmando que estaremos bem ao final, me apegar ao “pé atrás”. Que paradoxo é esse?

Ora, um time de futebol se faz de jogadores e bastidores.

Todos temos a convicção de que participar de um campeonato como este não é garantia de águas calmas, ventos aquecidos e sombras reconfortantes. Temos sustos cardíacos, pesadelos assombrosos e insônias terríveis. Todos os vinte clubes da série A passam por isso. Não queria estar na pele daqueles que estão na zona da degola desde o começo do campeonato, no vale dos choros e rangeres de dentes, mas é bem provável que saiam graças ao menor esforço de um ou outro, por que o equilíbrio assim o permite. Ou caiam definitivamente.

Contudo, quem torce para um time de futebol, ainda mais quando este time é de uma paixão do tamanho da do Avaí, não pode ser complacente. O “é assim mesmo” não desce, mal passa pela garganta. É sabido, também, que se dependêssemos apenas de jogadores e comissões técnicas, os altos e baixos seriam encarados como normais, à luz de uma reflexão mais apurada. O futebol jogado no campo é assim. O problema é que não é apenas isso, a gente sabe. Há o entorno. Vamos tomando consciência de outras encrencas à medida que a coisa avança. As salsichas e as leis vão aparecendo.

Eu detesto a frase “eu já sabia”. Revela oportunismo e provocação. Não sou dado à profecias, mas a análises. E minha verve analítica disse lá atrás, também, sem ser contraditório, que neste ano estaríamos seguindo a fórmula do fracasso se algumas coisinhas (as salsichas e as leis) não fossem resolvidas, exatamente como um certo clube da cidade fez em épocas remotas. Todavia, esta fórmula está sendo seguida à risca pelo Avaí. Todos os ingredientes foram para o caldeirão desta sopa amarga. Ou seja, há quem não nos engane mais por muito tempo.

Embora acredite piamente na capacidade do Dr. Zunino em resolver isso, afinal é desnecessário relembrar as provas, passa por ele a solução, a de afastar as laranjas podres.

Quando um dirigente vai a público distinguir categorias de torcedores é por que, nos bastidores, muita coisa está nebulosa. Muitos egos e vaidades estão sobressaindo, estão acima dos interesses da própria agremiação. São os chamados “amigos de milionário recente”. São os que aparecem quando a coisa está boa, o caldo está quente, o cobertor cobre os pés. Mas deixa a coisa degringolar para se ver o estouro da boiada. E sobrará quem, no final? A torcida e um presidente bom. Como era no passado.

É fato que o Avaí não existe somente para 300 abnegados, alguns jornalistas e empresários da moda. Este clube está na vida de uma multidão de apaixonados por futebol nestas terras desde há muitos anos. Não nasceu agora, não apareceu no cenário de nossas vidas, dessa multidão de sofredores ontem, na semana passada ou no ano passado. E esta multidão é que deverá ser chamada para acender a luz da esperança, como sempre foi. Na escuridão o que importa é a intensidade da luz e não a origem ou a qualidade da lamparina.

O torcedor avaiano é o único que poderá tirar o Avaí dessa. Não há outro jeito e é a mesma coisa sempre: na hora do aperto sobra pra quem mais sofre e é mais desprezado. Revelei isso em postagem recente, de que somos burros apaixonados, que recebemos a chibatada do desprezo e voltamos a amar o chicote.

O grande problema será como administrar os egos e vaidades, depois que se constatarem que nós, torcedores, fazemos uma falta danada ao clube. Chegará o momento da verdade

E o curioso é que a gente já sabia disso tudo.

4 comentários:

  1. Rodrigo V. R. disse...:

    Mato a pau no texto ... Concordo ...

  1. Gerson Santos disse...:

    Alexandre, um texto lúcido, moderado e (não sei explicar como) direto na jugular. Deveria ser impresso e colado ao lado daquele quadrinho na Ressacada onde se lê MISSÃO, VISÃO e VALORES.

  1. Na minha concepção chegamos a um dead line. Eu vi uma determinada pessoa com uma cara que eu não gostei.
    Obviamente que os boca-alugadas vão manter o discurso de que ainda resta muito tempo, que tem muitos jogos pela frente.
    Claro que não dá pra fazer terra arrasada, mas tô preocupado.

  1. Valerio disse...:

    Gostei muito do texto, como o pessoal da impressa gosta de dizer: Pontual.

    Eu acho que alguns diretores ("administradores" do Avaí) se inflaram de orgulho, achando que são os donos da verdade e que sabem tudo de gestão de clube de futebol.

    Nunca o Avaí teve "a faca e o queijo na mão" e acabaram cortandos os dedos dos torcedores e os pés dos jogadores.

    Faz um ano que a diretoria está "esquisita", está sendo gasto muito dinheiro em muitas coisas e pouco no mais importante: Bons jogadores.

    Eu estou preocupada a bastante tempo.

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