As virgens às portas do inferninho

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O jogo do Avaí contra os acinzentados do Equador não foi uma bela partida de futebol. Foi uma daquelas coisas murrinhas, amarradas, com muita cera e catimba.

ALÔ, MALANDRAGEM

Aliás, na minha opinião, os times brasileiros em relação aos demais na América do Sul são muito inocentes. Virgens vestais, para usar um termo mais polido.

Argentinos, uruguaios, paraguaios, chilenos e agora equatorianos são malandros profissionais, no bom e mal sentido. Basta um dos nossos aprender um pouco dessa “milonga”, para tornar-se campeão aqui pelas Américas. Usamos isso muito na política, quando nossos estimados candidatos simulam contusões com bolinhas de papel como se tivessem sido atingidos por bombas retardatárias vindas de Hiroshima. Mas no futebol, ainda estamos no maternal.

Foi o que faltou ao Avaí no jogo contra o EMELEC, nos momentos iniciais do jogo. Fizemos nosso debut apreciando o que há de mais marrento e embusteiro nas disputas futebolísticas pela América Latina. Porém, no momento em que percebemos isso, a possibilidade de aplicarmos a mesma fórmula, passamos a dominar o jogo, dentro e fora do campo.

O GÁS NOSSO DE CADA DIA

A Sulamericana é um bom aperitivo, um estimulante, um afrodisíaco para um time que literalmente brochou no campeonato. Podemos não ir muito longe e nem temos uma pretensão dessa envergadura. Mas nos valeremos dessa competição para dar um gás no que nos interessa: estar na série A de 2011. Só isso já nos basta para encerrar um ano terrível. Fica como recado para os bocas-alugadas da mídia, cujos disparates para que relaxássemos neste jogo me deu ânsias. Como é fácil ser jornalista em Florianópolis. Com meia dúzia de bobagens em horários nobres, o sujeito já é glorificado.

TORCIDA DA RAÇA

O que aprendemos de lição neste caminho cravado de pedras foi o comportamento da torcida do Avaí. Quando é deixado nas mãos dela, quando a ela se permite conduzir os destinos do time das cores azuis e brancas, ninguém nos vence. É só correr a história. Se auto-convocou e disse presente.

A diretoria não o fez. Teve vergonha de convocar a torcida. Seu Mar Quetingue, que mais parece legião de vitrinistas de shopping, não teve coragem de fazer a convocação que a torcida merecia. Mas ela fez. Se fez? E como fez. Foi uma noite épica na bela história desse clube.

Provou-se que o recheio de algodão desse boneco empalhado que tentaram colocar na Ressacada, travestido de torcedor, não deu certo. Não possuía as entranhas vivas do verdadeiro torcedor avaiano.

Que se saiba, então, daqui até a eternidade, que nunca se deve calar uma paixão.

3 comentários:

  1. Gilberto disse...:

    Tá dito!!!
    Na vida, felizmente ou infelizmente, não podemos, nem devemos esperar nada de ninguém. Precisamos agir com nossas próprias forças. E é na força do Leão, da história do Avaí e da torcida, que, #reageleão, estaremos enfim, ao final do ano garantido na série A. E neste momento será necessário não esconder o que ocorreu. Mas sim avaliar e planejar adequadamente o ano que estar por vir. E, mesmo que não, declaradamente, separar as laranjas podres das boas laranjas.
    Quanto à malandragem (inclusive foi tema do meu mestrado) no decorrer da partida de futebol ela muito nos falta. Nem sei se eu seria/sou a favor dela no esporte (sou totalmente contra como aspecto social antropológico), mas que nos falta uma certa catimba que os hermanos tem de sobra, isso nos falta (porém nos sobrou volantes na última copa).
    Abraços ...

  1. Adriano Assis disse...:

    Alexandre, foi uma tarrafada daquelas não? Noite para ser lembrada!

  1. Felipe Matos disse...:

    Historia sendo feito a olhos vistos! abs!

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