Quando o futebol é o que menos importa

segunda-feira, 14 de março de 2011

Antes de mais nada, quero dizer que não faço parte do grupo que acha que o Avaí é o maioral, que deve ganhar tudo. Já expus diversas vezes que a soberba e a empáfia são perniciosos vícios. Geralmente, apanágios dos fracos e impotentes. O que se deve fazer, isto sim, é valorizar as conquistas. Impor respeito à nossas realidades, em todos os aspectos da vida.

E há coisas na vida que a gente custa a entender. Será que separando os gases oxigênio e hidrogênio conseguimos perceber a liquidez da água? Por que a Lua e o Sol nos parecem do mesmo tamanho, se na realidade são disparadamente de formas e dimensões diferentes? O pica-pau fura a madeira com o bico ou com a língua? Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? Qual a razão de o Avaí complicar tanto a sua vida? Bom, para todas as outras perguntas tenho certeza que há respostas plausíveis e honestas. Para a última, é preciso chamar um especialista da NASA que fale 200 línguas e tenha cinqüenta anos de experiência.

O futebol, nos dias atuais, é um mercado. E sórdido. Aquele negócio de o sujeito beijar escudo e fazer coraçõeszinhos é a coisa mais boçal neste esporte. Ridícula. Ninguém joga num time de futebol pelo amor que deposita ao clube, mas pelos seus interesses. E, também, ninguém administra um clube pela relação afetiva às suas cores, mas tão-somente pelos negócios. Crianças de colo ontem tornam-se tubarões sanguinários nos contratos com jogadores. A única parte nessa história toda que é pura emoção é o torcedor e, por sinal, é o que mais apanha e é mais desprezado. Que ninguém se iluda.

Partindo dessa premissa, realmente fica difícil compreender como que um clube de futebol se atrapalha tanto em seus atos finais, na manutenção de uma conquista, quando se sabe que sua vida é uma mistura de dificuldades e incertezas. Se fizer o elementar, administração capitalista das boas com vontade de ganhar dinheiro, somos campeões nacionais amanhã, pois a torcida deste time não o deixará na mão.

O Avaí custou a entrar na elite do futebol brasileiro. Qualquer avaiano com alguma coisa dentro do crânio sabe o quanto isso foi sofrido, amargurado. Às vezes, insano. Éramos piada nacional durante quase uma década e, se não me engano, viramos recorde de permanência na série B. Um clube onde o seu financiamento foi e ainda é doméstico. Não contamos com uma empresa de renome mundial a nos patrocinar. Quando muito uma nacional sem expressão abrangente. Os patrocinadores dão gargalhadas desprezíveis quando exigimos alguma coisa, ao menos um respeito tolo.

O pagamento dos custos é feito a conta-gotas, notinha por notinha de Reais passadas de um lado a outro, pois se sabe, cotidianamente, que fazer futebol aqui é um parto à fórceps em cadelinha chiuaua emprenhada por um cão dinamarquês.

Quando os avaianos reclamam de alguns atos administrativos, não significa dizer que se quer o mal do Avaí. "chuta tudo e faz de novo". Nada disso. Muito pelo contrário, se deseja um clube cada vez maior e representativo. Se quer que tratem a “coisa Avaí” como o carinho de uma mãe ao seu recém-nascido. Que se disponham medidas como quem leva um automóvel por ruas perigosas, com esmero, dedicação, empenho e coragem. Valorizar, muito, o Avaí como instituição.

No jogo deste domingo ouvi gente gritando que há uma cabeça de burro enterrada na Ressacada. Ou então aquela famosa frase "sai bruxa". Não existe nada disso, sinto muito. Cabeça de burro enterrada ou bruxa nos apregoando maldições coisa nenhuma. Até queria, por ser mais fácil explicar as deficiências. O que há é uma vontade de se fazer diferente dos outros. De não se fazer simples. De complicar o óbvio.

Não vou me alongar, pois esta lenga-lenga está chata. Não dá mais pra bater na mesma tecla, pois a idéia ficou circular. Porém, definitivamente, é preciso uma faxina, é preciso mudar mentalidades, é preciso afastar os vaidosos. E estamos conversados!

5 comentários:

  1. Seu Cunha disse...:

    Nota 9,5 - Tu achas que eu vou te dar 10? heheheh

    Deixando a brincadeira de lado, assino em baixo.

    Abraços,

  1. RODRIGO disse...:

    Carlos Aguiar belo texto, concordo com você e digo mais precisamos saber que são esses vaidosos. Não podemos tornar o nosso querido Avai igual aos outros times comuns. Isso não quer dizer que acho que somos melhores, e sim diferentes assim como fomos naquela pífia campanha do brasileirão do ano passado que ao invés de agredir e intimidar apenas incentivamos. Precisamos estar de olhos abertos e FORA OS FORASTEIROS E "VAI PRA CIMA DELES LEÃO"!!!

  1. Anônimo disse...:

    RADICAL E EXPLENDOROSAMENTE - C O R R E T O - SEU TEXTO, MEU QUERIDO ALEXANDRE. BATE - CERTAMENTE - COM O QUE CONVERSAMOS NO "ANTE JOGO" DE DOMINGO P.P.
    COMO REFLEXÃO PARA OS DESAVISADOS, SEGUE O SEGUINTE PRECEITO BÍBLICO:
    "DEBAIXO DO SOL, OBSERVEI AINDA O SEGUINTE: A INJUSTIÇA OCUPA O LUGAR DO DIREITO, E A INIQUIDADE OCUPA O LUGAR DA JUSTIÇA".
    SE É QUE ME ENTENDES...DÉCIO...
    UM ABRAÇO, E FIQUEM EM PAZ.

    JÚLIO RICHARD CÂMARA -RICA-

  1. Tudo bem, Seu Cunha. A gente acredita.

    Rodrigo, é fácil achar os vaidosos. A propósito, estão em todo lugar. Pense no seguinte: quando se quer fazer um trabalho com um bom resultado, a gente faz sozinho ou pede ajuda? O vaidoso geralmente não pede ajuda. Intendessi.

    Rica, a fórmula é simples. Basta alguém seguir.

  1. Gilberto disse...:

    É isto mesmo meu caro. Contudo, o futebol tem "figurinhas" de todo o tipo! E no Avaí parece que algumas coisas se maximizam!!!
    Agora se for partir para o "cabeça de porco enterrada" ou "sai bruxa" ambos vão estar sem razão. Pois se assim o fosse a culpa de tudo isso é do zelador do prédio onde trabalho que prometeu uma coisa para o Avaí permanecer na série A, no ano passado, e ainda não cumpriu ... (risos)
    Abraços.

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