Uma palavra estranha: parceria

sábado, 29 de outubro de 2011

Há uma palavra circulando por aí, daquelas que nos martelam sem nem mesmo a gente saber a razão da idéia fixa. Ela é ouvida e lida constantemente. E, tal qual um exorcismo roliudiano, é invocada para satisfazer nossas tensões existenciais, ou mesmo para explicar o mal desempenho de um time de futebol.

Na maioria das vezes lemos coisas interessantes, com fundamento, baseadas numa análise ponderada. Em outras oportunidades surgem equivocos e erros de interpretação, atrelados a um desconforto messiânico, mas que ainda assim é possível tirar algo e elaborar uma crítica mais fina. E, como não poderia ser diferente, há também coisas tão sórdidas que temos que andar com cuidado para não sujar a sola do sapato. Esses últimos não me importam


A palavra é PARCEIRA.


Fui ao meu camarada de angustias e desesperos gramaticais e linguísticos, o tio Aurélio, e conferi: parceira é;
1.Reunião de pessoas para um fim de interesse comum; sociedade, companhia.
2.
Bras. Grupo de dois ou mais compositores de música popular.

Podemos pegar esta primeira definição e descartar a segunda, pois até onde sabemos o Avaí não está interessado em montar um grupo musical.


O Avaí viveu durante alguns anos tentando montar a sua estrutura interna de futebol. Desde 2002, os esforços na Ressacada foram no sentido de corrigir alguns desvios de rota. Dívidas seculares foram negociadas e calotes em padarias foram resolvidos. O Avaí começou a ter um nome de crédito na praça. Enquanto isso, nos gramados, o seu crédito era cada vez menor. Perdíamos decisões e competições como adolescentes mal conduzidos. Nossa campanha na série B, então, e no Estadual eram humilhantes, com uma ou outra luz a clarear a vida dos avaianos. Um eterno festival de quases.


Foi aí que surgiu a necessidade de juntar essa vontade louca de sair do lugar com alguma experiência em contratos de jogadores. O Avaí fez uma parceria com a L. A. Sports e o resto da história todo mundo já sabe. Vitórias e desgastes trouxeram o clube até aqui, nesse beco sem saida, com apenas uma portinha para o gatinho passar.


Seria importante que se percebesse que inocentes só as pedras, como diria Hegel. Negócios e inocência são inimigos que devem andar separados desde o parto. Por isso, o discurso de "tragam de volta o Avaí para os avaianos", só não é mais idiota porque quem o defende não é. Ao contrário, é bem esperto. E já colocou por aí os seus cães a ladrarem.


Uma parceria num clube de futebol só é viável se houver uma contrapartida. Não é tercerização e nem entrega do patrimônio. É uma via de mão dupla assombrosa. 

222 mil clubes de futebol no Brasil, quando querem sair do marasmo e do vazio existencial, contratam uma parceria. E, seguindo a velha lógica da bipolaridade, enquanto o time estiver ganhando e conquistadno títulos, o sujeito convida o parceiro do seu clube para ir jantar na sua casa, ou oferece a sobrinha em casamento. Quando perde.... o parceiro vira o demônio.


O parceiro de futebol não é bom e nem ruim para um clube. Ele deve, aí sim, ser fiscalizado, para que o clube onde supostamente criará raizes não se torne seu quintal. É nessa hora que os intrumentos deliberativos do clube devem agir, mostrar-se atuantes e não apenas ficarem reféns de padrinhos preguiçosos.


O Avaí cresceu devido à parceria com a L.A. Aliás, ela só aportou por aqui graças ao seu potencial, que internamente era bom. Sofreu problemas pertinentes às contingências deste esporte, mas obteve seus objetivos.


O Avaí Futebol Clube, se quiser andar no futebol brasileiro, precisa de uma parceria. Se quiser alguma coisa precisa de empresários. E se quiser um lugar ao sol, não pode se direcionar por pruridos.

3 comentários:

  1. RODRIGO disse...:

    Meu caro Aguiar esse é o "X" da questão. Acho que você já deve ter lido em meus post ou comentários que eu não sou contra as parcerias. Não sou contra o Luis Alberto e até acho que ele esta certo, como empresário ele visa o lucro e disso sempre soubemos. O meu maior questionamento é do jeito que o AVAI, na pessoa do seu presidente conduziu a parceria. Como você bem disse deveria haver maior fiscalização, um parceiro pode sim indicar jogadores aos clubes mas nunca se meter na estrutura e muito menos na contratações de profissionais para outras áreas do clube. Outro erro apontado por você foi não fincar suas próprias raízes, no caso fazer de suas categorias de base alicerce para um futuro próximo. Aguiar também não sou contra negociações de atletas, porém acho que elas só devem acontecer no final das respectivas temporadas e a multa rescisória sempre deveria ser cobrada integralmente. Repito não sou o dono da verdade, é apenas uma opinião um abraço!

  1. Perfeito! Essa sua opinião, Rodrigo, se equivale à sensatez nessa hora.

  1. Fábio Azurra disse...:

    Fiquei um tempo sem ler o blog e só vi esse post hoje.
    O Avaí teve a sua melhor fase trabalhando em conjunto com o L.A.
    Devem existir erros na condução dessa parceria, mas acho melhor corrigi-los do que encerrá-la.

    Não faço a menor idéia do planejamento para 2012, mas espero que o clube volte aos trilhos e que tenha além do L.A. e seus indicados, alguém que defenda os interesses do Avaí.

    Abraço

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