Uma insanidade coletiva

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O biólogo britânico Richard Dawkins difundi a idéia de que “quando uma pessoa tem uma insanidade chama-se a isso DELÍRIO. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, chama-se a isso de RELIGIÃO”.

Embora eu seja confessadamente ateu, e com grande respeito aos religiosos, mas que outra conotação se poderia dar a torcedores que saem de casa pelo resto do dia, para assistir a um jogo às 7 horas da noite, de um domingo nublado e quase chuvoso, enfrentado uma fila enervante e burra, para assistir a um time na zona de rebaixamento? Com um detalhe: lotam o estádio. E mais não entram por não haver mais lugares.

Somos confessores de uma religião chamada Avaí e sofremos de uma insanidade coletiva, digo sem medo de errar.

Assisti ao jogo num local diferente do que costumo ficar. Fui para o setor E, próximo à torcida adversária. E vi gente diferente das que costumam ir a Ressacada. Mas não menos fervorosas e amantes deste clube.

Incrível como muita gente esteve próxima ao colapso cardíaco com este jogo. E com os demais jogos do Avaí, é bom lembrar. Como é desumano expor pessoas a um sofrimento assim. Porém, ninguém estava ali por obrigação, por imposição de uma ordem política ou jurídica. As pessoas vão e foram ao estádio para sofrer pelo Avaí. Há algo mais insano que isso?

Convide alguém desta cidade a assistir a qualquer espetáculo ao ar livre, num dia de sol ou de chuva. Qualquer espetáculo. Há os senões, as verificações de agenda, o estado emocional, físico, tudo pesa e tudo vira desculpa. Alguns vão e outros não. Mas convide torcedores do Avaí para ir ao estádio quando ele precisa. Pronto! Não há dor de barriga, dor de cabeça, no pé. Não há cansaço, falta de vontade. Não, senhor. Nada disso. O avaiano vai, não tempo ruim.

E sofrem, xingam, esbravejam, riem, choram, babam, cospem, soltam palavrões ou palavras de incentivo. Tudo em prol de sua divindade maior, o Avaí. É por isso que somos diferentes dos torcedores que há por aí. Quando se pergunta o que é isso, o que é ser avaiano, ninguém entende. Às vezes, nem nós.

E depois de 90 minutos de pura angustia e sofrimento, com os processos fisiológicos chegando às vias da exaustão, com o coração em processo pré-cardiopatológico, todos chegamos à mesma conclusão: Como é bom ser um louco varrido pelo Avaí.

6 comentários:

  1. Joana disse...:

    Amei!Muito bom mesmo seu post.
    Abraços,

  1. Nidi Oliveira disse...:

    Sou obrigada a comentar: a KK de Paula não foi ao jogo, você assistiu de um outro lugar, eu NÃO QUERENDO ASISITIR POR TAMANHO NERVOSISMO, faltando 30 minutos para o início do jogo fui incentivada por uma amiga Figueirense que vestindo a minha camisa do AVAÍ me levou para assitir o jogo via PFC. O que é isso? ESSE AVAÍ FAZ CÔSA!

  1. Lucas disse...:

    perfeito o texto chegou a arrepiar parabéns
    Avaí FC minha religião

  1. Joana, é um sentimento que só um avaiano conhece.

  1. Nidi, tu és uma maluca. Como todo avaiano. hehe

  1. Lucas, quando a torcida começou a entoar o hino antes do time entrar eu desabei.

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