Uma tragédia cômica em dois atos

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Foi ridícula. Foi patética. Foi grotesca. Foi medíocre. Foi burlesca a forma como se jogou futebol na Ressacada nesta noite fria de quinta-feira, dia 11 de novembro, data histórica na vida do Avaí Futebol Clube. Aliás, nem de brincadeira aquilo ali apresentado poderia ser chamado de futebol. Foi um não-futebol, um ensinamento às crianças que começam a jogar este esporte de como não se deve fazer. E uma demonstração de desrespeito aos mais antigos que apreciam esta atividade.

Duas equipes, ou melhor, dois bandos em campo, travestidos de jogadores e não fazendo jogadas, não correndo, não chutando, não se empenhando. Algum ou outro lance que lembrava o esporte jogado em algum outro lugar. Mas, não ali, não nesta noite, não naquele gramado. Não me lembro, desde que me conheço por gente, de ter assistido a algo tão caricato e inominável assim. Eu que no ano do acesso tive que me afastar por alguns meses do estádio, porque a emoção me pegou de surpresa e minha bomba de sangue dentro do peito apitou, não senti nada nesta noite terrível. Nenhuma emoção, nenhum friozinho na barriga, nem ao final quando o time que veste as cores do Avaí melancolicamente saiu de campo vaiado pelo torcedor desiludido.

Começo a ver, também, que a ilusão me passou a perna. Não queria acreditar que o Avaí pudesse cair no campeonato brasileiro, usando apenas as simulações e calculadoras. Mas meu lado cético começa a me chamar no cantinho e me dizer que a crença é para os fracos, não se sustenta na razão. E a razão, a realidade que nos é apresentada por estes que não nos honram a camisa é cruel e terrível. Mostra o porquê deste time que veste as cores do Avaí estar nesta posição. É a mais elementar das verdades. Esta desclassificação foi o primeiro ato de uma pantomima.

Busco nas palavras, nos adjetivos e substantivos, algo que preencha esse vazio deixado por este grupo de cidadãos que se dizem jogadores, e que atualmente vestem as cores do Leão da Ilha da Magia. A magia que lhes falta para nos encantar com alguma coisa chamada futebol. Ou ao menos para sujar a bundinha no chão. Não faço parte, por isso, do coro do “eu já sabia”, pois se soubesse nem mais iria a campo. Não sofro de masoquismo. Também não aposto no “quanto pior, melhor”, por reter algum interesse rasteiro. Mas penso que o segundo ato desta ópera-bufa protagonizada pelos que vestem a camisa do Avaí Futebol Clube está por se confirmar nas próximas rodadas do brasileirão.

Não vou jogar a toalha e estarei lá até o último minuto, até a última luz acesa, ainda que a exortação ao fracasso esteja sendo proferida diariamente. Mas a minha descrença se avolumou na exata proporção do apequenamento deste time. Porém, o futebol, às vezes, nos revela surpresas.

Não pense alguém que escrevo isso sem a velha emoção. As lágrimas brotam em meus olhos e meu íntimo treme de angustia. Contudo, não estou triste, estou é assombrado pelo que fizeram ao nosso Avaí.

6 comentários:

  1. Mausé disse...:

    Perfeito, Alexandre.
    É de ficar abobalhado vendo em que virou o nosso Leão: do meio pra frente, um amontoado de peladeiros comandados por um boquirroto sem categoria e sem condições para comandar um time que não seja da série C. Nuvens negras se aproximam no horizonte...

  1. Gilberto disse...:

    É amigo, será que o inevitável está chegando? Perder para o fraquíssimo time do Goiás terá sido o último suspiro. Poucos são os atletas que merecem vestir a camisa do Avaí (neste time atual) Por que os que não merecem permanecem a vestí-la? Para preservar a parceria? Bem, não quero escrever sobre isto, ainda. Que venha o Inter ...

  1. Kk de Paula disse...:

    Impressionate, assustadoramente impressionante esse time e esse técnico.

  1. Chegou um momento do jogo, quando a INFRAERO pediu para parar com os chutões, pois já confundiam a rota dos aviões, que eu não consegui mais ter raiva.
    Senti foi um gosma na garganta, um asco, uma ânsia de vômito.

  1. Gerson Santos disse...:

    Faraco tinha razão... É UM BANDO DE SAFADOS.

  1. Anônimo disse...:

    Olá Alexandre..tudo bem? é a primeira vez que escrevo aqui.
    Me chamo teylor e moro no abraão...e queria te falar o quanto fiquei impressionado com tuas emocionadas palavras( tbm me imaginei escrevendo seu post e derramando lágrimas)
    Sou Alvinegro, e sempre vejo os jogos ou no Scarpelli ou no Bar do Ori ( conheçes?),queria muito ver um clássico na A, sempre falei isto.
    Quem dera todo co-irmão ser cinsero que nem voçe..imagino o que estas guardando para postar se for rebaixado mesmo!!! Abraço e sorte viu!!!!

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