Afinal, que tipo de torcedor nós queremos?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quando vi aquelas palavras sobre a cobertura do setor D, na Ressacada, fiquei analisando um porção de coisas. Ali diz: A maior e mais apaixonada torcida de Santa Catarina. Vendo o estádio vazio e um monte de gente calada, fiquei me perguntando: de qual torcida a frase está falando? A nossa, a do Avaí? Maior, evidentemente, não é. Apaixonada?

A respeito desta frase postada na cobertura da Ressacada, quem a pôs ali e quer torcida apaixonada no estádio não pode dificultar a sua entrada. De uma vez por todas se acabe com isso. Soa como algo mentiroso, desonesto. Até porque, quando o calo aperta, o primeiro a ser chamado para “ajudar” é justamente o torcedor escorraçado.

Seria por convicção ou oportunismo?

Penso, também, que agora é hora de pôr alguns dedos nessa ferida pútrida e pestilenta, que é a presença de bandidos no meio das torcidas. Afinal, que raios de torcida queremos nos estádios de futebol? Apaixonada ou inconseqüente?

Em pleno século 21, com sociedades baseadas em alta tecnologia, com uma rede de informações que deixam todos, em todo o planeta, informados, com os avanços da ciência em todos os patamares das atividades humanas, não é mais concebível que torcedores de times de futebol sejam transportados em comboio para um estádio de seu rival, escoltados por um enorme aparato militar, como galinhas para o abate. É a declaração de que perdemos a sanidade.

É inadmissível que torcedores manifestem seu ódio ao rival cantando músicas de cunho fascista, de incitação à violência, à guerra, à morte! Não se pode aceitar isso. Não é possível admitir que pais levem seus filhos a um estádio de futebol e, na volta, por pouco não o retiram de um necrotério. Custo a crer que seres vivos, dotados de capacidade lógica e raciocínio abstrato destilem ódios mortais a um rival, a alguém que fez uma escolha diferente da sua e, a partir daí, o agrida de forma covarde e leviana. Ou o despreze como se não fosse outro ser vivente.

É, ainda, absurdamente incompreensível que uma torcida prejudique sua própria instituição jogando fogos e objetos no campo. Se um destes ditos torcedores cair de quatro, não levanta mais. É este tipo de torcedor que nós queremos? Posso continuar incentivando meu filho a ir ao estádio e correr o risco de vê-lo, um dia, com a cabeça rachada por uma pedrada lançada por um deliquente?

"ah, mas o futebol é assim mesmo." Não, não é cara-pálida. Não deve ser assim. Não admito banalizar-se a violência, o mau gosto, a baixaria, a podridão de mentes cujos donos são impotentes frustrados.

Ressalto que estou longe de ser piegas, de apostar no politicamente correto. Aliás, abomino falsidades e hipocrisia.

Contudo, é hora de alguém repensar para que serve o futebol e qual a sua verdadeira inclinação numa sociedade que se diz civilizada. Os marginais, de qualquer cor, ordem ou natureza, devem ser afastados do convívio dos torcedores comuns. De pais, de filhos, de famílias. Não podemos perder para a vilania.

E as entidades policiais devem começar a agir com a função para a qual foram destinadas, dando segurança à comunidade em geral, e não somente para aqueles o qual seus comandantes fizeram uma escolha.

Ou é civilização, ou a barbárie. Decrete-se o fim do futebol, caso não houver mais controle. E de uma sociedade baseada em valores e princípios humanistas espera-se, no mínimo, punição a bandidos.

Ah, mas para que estou perdendo tempo com isso? Daqui a pouco alguns destes sem-noção ganhará jantar, ingresso, carteirinha, camisa, fará declaração de amor a este ou aquele dirigente e tudo voltará ao reino das fadas encantadas.

Enquanto isso, palhaços como eu, que gostam de futebol, de levar a família ao estádio, sentem-se envergonhados por tanta patifaria e leniência. Como tenho vontade de ir agora à secretaria e rasgar minha carteirinha de sócio, e nunca mais pisar os pés nesta praça de touros que é um estádio de futebol.

7 comentários:

  1. Eron disse...:

    Pensei o mesmo, foi a coisa mais inoportuna o que está escrito na cobertura do estádio, com tudo o que esta, torcida relegada a segundo plano, cariocas encostados, time medíocre, não era momento para isso.
    Eron

  1. Sinceramente, era para hoje estarmos comentado o futebol e estamos debatendo se vale à pena ainda ir ao estádio. Uma lástima.

  1. Anônimo disse...:

    Moro em Blumenau e sou avaiano apaixonado, e meu filho de 14 anos também. Ele queria porque queria ir ao jogo. Relutei. Não quero mais ir a clássicos, ver pela TV é mais seguro. Parece que acertei. Quanto ao texto, apenas uma colocação: já estou desiludido há muito mais tempo que você, desiludido com a falta generalizada de educação (você dirige?), de vergonha, de honestidade...
    Falta-nos a cultura do respeito à lei. Duvido que um dia a teremos...

  1. João Jr disse...:

    Alexandre, me reservo no direito de apenas discordar da parte de rasgar a carteirinha de sócio. No mais, concordo plenamente contigo. Infelizmente o problema não é só do futebol, é da sociedade em geral. É falta de educação e de caráter. A ampla maioria acha que em se tratando de futebol se justificam ofensas, xingamentos, vandalismos e agressões, geralmente com a desculpa de que a outra torcida já fez coisa semelhante e deve-se "dar o troco", para não ficar por baixo... Com uma mentalidade dessas, muitos seres humanos se diferem de alguns animais apenas pelo fato de serem bípedes. Infelizmente isto ainda ocorre em pleno século 21.

  1. ??? disse...:
    Este comentário foi removido pelo autor.
  1. Anônimo e João Jr., as guerras tribais, dessas que a gente vê ocorrendo pelo Oriente Médio, são o retrato do toma-lá-dá-cá, que as "inteligentes" torcidas organizadas copiaram. Ou a gente não permite mais isso, ou eles acabam com o pouco que construimso. Eu, de minha parte, não vou dar mais voz a bandido, seja de que lado for.
    A respetio de rasgar a carteirnha, é muito difícil, João, eu fazer isso. Vou sempre voltar. Mas a indignação é grande.

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