Perdemos a graça

domingo, 12 de junho de 2011

O silêncio pensativo e a vaia uivante da Ressacada nos deixa a todos melancólicos. O estádio mais belo de Santa Catarina já não é mais um caldeirão como se via no passado, onde o apoio incondicional ao time pela torcida era comum. As colunas do estádio, suas arquibancadas e coberturas estão às moscas, mesmo em dias de jogos e com presença de publico. Uma câmara fria têm mais calor, uma partida de tênis é mais divertida. É quase possível se avistar uma lápide onde se pode ler AQUI JAZ UMA TORCIDA.

Os risos cessaram e a paciência está mais curta.

Tem-se na mente dos torcedores que agora vão ao estádio que ninguém pode errar. Logo a seguir ao passe mal dado, à falta mal cobrada, ao chute para longe ou ao gol perdido vem a vaia. Claro que bajuladores são corrompedores, mas a vaia plena e absoluta é desestimulante. Não edifica, não corrige e reveste-se em desgosto e má vontade para o vaiado. E há pessoas que já vão para o estádio com a boca rígida, em formato de círculo, prontas para a vaia e extravasar suas angustias.

A gente percebe, nitidamente, que há um medo. Um medo que não pode ser medido, mas que é perfeitamente visível aos olhos em todos os cantos. Suspeita-se que somos testemunhas vivas de uma iminente tragédia.

Estamos na série A do campeonato brasileiro, jogamos partidas duras, nossa diretoria comete erros primários, há jogadores sem vontade, mas se ir para um estádio de futebol é o mesmo que assistir a uma sessão de tortura, então é preciso se corrigir muita, mas muita coisa mesmo.

Aonde está a graça disso tudo?

Não adianta dizer, como afirma meu amigo Rica, que a vaia é a única forma que temos de protestar. Não acredito que seja assim. Se não der do jeito que eu quero, então eu vou vaiar. Também não dá pra dizer que os preços dos ingressos tenham mudado o público e sua disposição. Isso é simplismo. E também não dá pra aceitar tanta falta de respeito para com as instituições avaianas.

Estamos de saco cheio? Vamos desencalhar todos os galhos dessa enchente que é a vida numa única e sonora vaia para os jogadores do meu time? Ou vamos entrar mudos e sair calados, como expectadores e filme de Charlie Chaplin.

Sei lá, não tenho a resposta para nada disso. Mas o fato é que algo precisa mudar. Nada de milagres, de soluções alucinadas, de medidas extremadas. É preciso soluções inteligentes.

Mas que está tremendamente chato ir à Ressacada, isso está.

Em tempo: quando ganhamos somos os maiores e melhores do mundo. Quando estamos perdendo, vaiamos nosso jogadores e rasgamos as carteirinhas. Será que somos isso mesmo, um bando de oportunistas?

9 comentários:

  1. Passamos frio ontem, Aguiar, mas também não vaiei, aliás, nunca vaio jogador o técnico, o que ficou de lição foi que podemos até estar no caminho certo, ms, Gallo tera muito trabalho e nossa diretoria precisq ter mais atitude, como exemplo, aquele babaca do Fábio santos, que além de não jogar nada ainda fez gestos p torcida, esse tem que ter uma punição severa! Só gosto de lembrar que: O Barco ainda não afundou, e eu vou junto até a última partid, como fiz ano passado, como sempre fiz. Só gosteria de pedir (será que posso???) Que nossa diretoria técnico e jogadores tenham mais respeito par com a torcida, ou terão jogos com 2, 1, 600 (como aquele da série "C"... lembra?) torcedores na Ressacada, lamentávelmente! É preparação forte pros que estão fora de forma, é puxão de orelha pros que não estão jogando P** nenhuma, enfim, é acordar prá realidade, que por sinal não está nada azul prá nós...

  1. Concordo, Dinho. Ressacada é onde os fracos não tem vez.

  1. Boto disse...:

    Caro, não concordo com a idéia do torcedor achar que o clube deve viver na fase boa. É fato que o nosso time é muito pequeno diante da grandiosidade de alguns em termos financeiros e até de torcida.
    Acho que todo torcedor entende isso.
    Em 2009, lembro que todo mundo estava desapontado com as primeiras 10 rodadas que não saia a vitória de jeito nenhum, mas ao mesmo tempo não conseguia entender porque ela não acontecia, coisa que ela aconteceu com aquele gol sobrenatural do Leo Gago no apagar das luzes, contra o Flu. Não me recordo de naquela época a torcida ter remado contra a maré e nem ter uma debandada geral para fora do estádio. Sempre terá um ou outro, mas era uma minoria insignificante.
    Hoje o que temos é um time que aparentemente nem sabe o que é o Avaí, o que é a torcida empurrando junto e quanta vergonha na cara é preciso ter para se fazer respeitado, por que ela foi enxotada do estádio devido ao abuso nos preços dos ingressos.
    Aliado a isso, temos uma diretoria que contratou "estrangeiros" que desconhecem e desrespeitam a nossa tradição, ou simplesmente são incapazes - não fizeram bom trabalho em lugar algum. Pior, tudo isso indicado por um moleque filho do presidente que nem consta como funcionário do clube.
    Ainda, perdemos titulares absolutos no nosso time para irem para outros clubes ficarem esquentando os bancos! E o pior: não ganhamos um centavo nisso!
    Vou te falar, não tem como compactuar com tamanha incompetência e/ou negligência, não dá para ir ao estádio e pensar "esse Robinho voltou porque é bom" ou "é a hora do Benazzi" e tantas outras lambanças que com o mínimo de critério não poderiam ter ocorrido no nosso time nos ultimos dois anos. Por isso, apesar de não engrossar as vaias e a "rasgação de carteirinhas", também não as critico.
    Abraço.

  1. Boto, não discordo de ti. Talvez enfoque de maneira diferente, mas acredito que no fundo pensemos igual.
    Mas eu ainda acho que a torcida do Avaí ficou mal acostumada, sei lá. Parece que em alguns momentos ela exige coisas que nem em clubes grandes se consegue.
    Eu lembro muito bem o que o pessoal doladelá fazia e como achava aquilo ridículo, de cobranças exageradas. E acabamos fazendo igual.
    Embora eu concorde plenamente que estão transformando o Avaí num balcão de negócios, também acho que a torcida está perdendo a paciência muito rápido.
    Mas, longe de achar que ela seja a culpada. De forma alguma.

  1. Anônimo disse...:

    Alexandre, com todo o respeito ao homem, o profissional, estamos nessa situação por culpa ( não por dolo)única e exclusivamente do nosso presidente que soltou as rédeas, que viu e vê tudo acontecer sem tomar medida eficaz e o resultado é o descontentamento da torcida e em consenquência uma vergonha de dar dó.
    Eron

  1. Eron, concordo. Não se pode deixar o barco ir afundando e não se fazer. Ou melhor, fazer coisas para afundar ainda mais o barco. Estamos no pior dos mundos, mas acho, sinceramente, que alguma coisa de boa vai começar a acontecer

  1. Anônimo disse...:

    VENHO FAZENDO EM MEU BLOG, DA FORÇA NÃO TÃO JOVEM, DIVERSOS COMENTARIOS SOBRE A RESSACADA SEM GRAÇA. A POLITICA DE PREÇOS TIROU DO ESTADIO AQUELES AMANTES DO AVAI, QUE FORAM SUBSTITUIDOS POR NOVOS TORCEDORES, DE UM PODER AQUISITIVO MAIOR, MAS QUE NÃO NUTREM A MESMA PAIXÃO INCONDICIONAL AO CLUBE. INCLUEM-SE AÍ TAMBEM A PROIBIÇÃO DE BANDEIRAS E MASTROS, A EXPULSÃO DA RAÇA AZUL DA RESSACADA E OUTRAS COISAS. E HOJE O QUE TEMOS É UMA RESSACADA FRIA E SEM GRAÇA.

  1. sergio araujo disse...:

    Aguiar, voce acompanhou o esforço da nossa torcida em 2010 pela permanencia do nosso clube na elite do futebol brasileiro.Pois bem, vem 2011 e com ele os velhos erros de outrora.Meu amigo tenho 03 filhos todos avaianos e sócios e pagamos caro para ver essa repetição de bobagens.Aguiar quando o arbitro apitou o final do jogo de sabado minha filha caçula de 12 anos falou o seguinte "Pai a gente vai sofrer igual ao ano passado?" continuarei sócio pagando religiosamente em dia, mais vou me afastar da ressacada para rever algumas prioridades.
    Grande abraço,
    Sérgio Araujo

  1. Mas é assim que funciona, Sergio. A vida do Avaí vai ser sempre assim. Não é diferente. Eu cobro resultados e campeonatos no Catarinense. Exijo ser campeão no nosso quintal. Mas lá fora, o jogo é duro.
    Vmaos continuar disputando enquanto der, que fique bem claro e não tenhamos ilusões.

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