Marcas do que ficou

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Quis a diretoria do Avaí virar as costas para o torcedor mais humilde, isso é fato. Deixou de lado a simpatia e apostou no pragmatismo. Almejou, a direção do Avaí, continuar o seu projeto de manutenção na série A sem correr os famosos riscos de insolvência, que tanto assombram os clubes que querem dar passos mais largos em suas histórias. Tornou-se antipática, a direção, mas pensou em garantir um futuro promissor ao Leão da Ilha. Estava certa no remédio, não vejo problema algum. Mas errou a dose e pode transformá-lo em veneno.

Uma parte dos resultados, dessa praxe, está aí, para nos constranger como torcedores. Ninguém, por mais que queira, consegue mudar o foco – como pensam por aí – porque não dá, é impossível. E agora a direção, se quiser voltar a ser simpática, terá que começar pelo começo. Só que a contingência dos atalhos que tomou a vida avaiana nos impede que seja tudo igual outra vez. Ficou uma marca. Um resquício, uma rusga, uma cicatriz. Tanto demos e tão pouco recebemos. Dessa forma, não acho que pedidos de desculpas resolvam muito, como se quer. Tem é que se mostrar na prática, e apenas ela, ao longo do tempo, é que pode sarar o pisado.

No entanto, uma reflexão de tudo o que ocorreu e das necessidades que se impõem a times de futebol é obrigatória, e, mais ainda, o quanto de apoio que sua massa de aficionados pode oferecer, sem que se considerem ressalvas ou contrapartidas. Fica, também, para o futuro, uma mágoa frente à desconsideração para aquele torcedor que, no tempo das vacas anoréxicas, estava lá, no frio, na chuva, nos ventos e tempestades a abrir seu coração à sua paixão mais querida. Pode ser que isso seja um dos sintomas de ninguém mais “acreditar” em promoções de ingressos. Essa (auto) crítica é obrigatória, tanto de torcedores como de diretores. Vai doer, mas é importante.

Mas o futebol não é assim, ranzinza e vingativo. Não pode ser assim. Manteremos a postura para que alguns poucos se decidam entre torcer firmemente para o Avaí, dando apoio incondicional, lado a lado unidos num clube só, ou de apenas freqüentarem a Ressacada quando o time está numa boa? Porque, se for assim, o Avaí já caiu. E não no campeonato, mas como clube de futebol, cuja existência perde a necessidade. A essência de um clube de futebol é a paixão que o envolve e não o frio dos negócios.
Que não se esqueçam, dirigentes e torcedores, daqui para frente das escolhas que devam ser feitas. Porque, se a cada conquista fizermos faixas amistosas para este ou aquele e a cada cara feia pedirmos as suas cabeças, ou censurarmos as críticas, então nós não precisamos mais de jogadores a nos encantar com o futebol, mas de psicanalistas.

Na série A de 2012 o Avaí deve repensar isso logo em janeiro. Aliás, deve ser sua primeira proposta de pauta na reunião da executiva. O que fazer para trazer de volta o torcedor à Ressacada? Preços promocionais na pindaíba ou preços acessíveis e honestos a qualquer momento? E os torcedores devem e lhes será exigido, mais uma vez, que voltem a apoiar o Avaí, ainda que com todas as dificuldades, porque foi assim que ele nasceu, cresceu e se tornou este belo exemplo de poço das paixões.

De tudo isso ficaram marcas. Não serão apagadas. Não devem ser esquecidas. Que sirvam de referências para as escolhas e caminhos que traçamos em busca do sucesso deste clube.

4 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    Caro Aguiar;

    Hoje no AVAI não há uma política de valores de ingresso; pelo contrário, o que existe é a política para cada jogo e de acordo com a situação do clube. Prova cabal e evidente dos sucessivos equivocos cometidos pela direção do clube desde 2010. Estamos sendo até repetitivos ao falarmos dos valores aplicados na Ressacada, todavia, não foi por falta de alerta que estamos também nas últimas colocações em arrecadação.
    Aguiar; há duas formas de aprendermos alguma lição em nossas vidas: a primeira é pelo amor que cada um tem em fazer algo, o apego e a dedicação que cada pessoa carrega consigo tendo o propósito de fazer sempre mais e melhor. Já a segunda forma é pela dor, pelo sofrimento, pela obrigação e pela imposição. Diante destes dois modos de aprendizado, a nossa diretoria parece que escolheu a mais dolorida e, possivelmente, somente um rebaixamento fará com que a "inteligência"avaiana corrija muitos dos erros, mesmo assim as marcas do sofrimento ficaram.

    Abraços
    André Luiz Rosa

  1. É verdade, André. parece que aprender com a dor é mais educativo.

  1. Kk de Paula disse...:

    Assino embaixo. Perfeito!

  1. Perplexo com o texto, no contexto dos anteriores, e coerente com o que sempre defendi, no sentido de que nem baixar o preço, nem um simples pedido de desculpa são suficientes, por si, assino embaixo com a única retificação de que o plano não deve iniciar em janeiro de 2012, mas em 20 de setembro de 2011, ou seja, ontem.

    Abraço

    Adir

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