Não fume em ambientes fechados

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Por que será que algumas pessoas ditas cultas, inteligentes, algumas vezes sensatas, por demais críticas, que não se acham ingênuas, que não tapam o sol com a peneira, defendem tanto a mídia da Capital? Qual seria a disposição para ter em suas apostilas espaço destinado a amenizar a percepção de toda uma torcida, e não de alguns bocós, como afirmam, do papel que desempenha a mídia local, no que tange seu comportamento em relação ao Avaí Futebol Clube? Que estranhos mistérios envolvem este comportamento de chapa-branca, no seio da torcida, para com a imprensa daqui?

Afirmaria um observador mais atento, de supetão: estas pessoas são jornalistas! Presunção aceita, uma vez que o espírito de corpo nesta categoria profissional (?) é gritante. Mas, não, estas pessoas às quais me refiro, as que defendem a mídia da Capital, não são jornalistas, sequer possuem o dispensável canudo para tal. Tem como única relação midiática a expressão de eventos, fatos e notícias de seu estimado clube. Algumas vezes exercem o espírito crítico. Portanto, tais competências lhes daria, por certo, um cargo de jornalista em qualquer redação. Mas, não são! Presumivelmente, poderiam estar pleiteando um espaço nos canais locais da mídia oficial, uma nota, uma indicação, o “ficar de bem para ser bem falado”. Mas, não, nada disso.

Aliás, espero, sinceramente, que não seja isso. Então, qual seria a razão?

Ressalto, como faço reiteradas vezes, que não existe imprensa imparcial. Mente, descaradamente, quem define isso. Até porque, são humanos e não máquinas os profissionais que militam nesta categoria de serviços prestados à sociedade na divulgação de informações. E, como meros e simples humanos, têm lado pra torcer, possuem uma bandeira. É fato! Evidentemente que isso, a escolha, está longe de me preocupar. Se todos torcessem para o meu time, não haveria graça alguma o futebol sem rivalidade.

O que me incomoda na mídia é a dissimulação dessa postura. E é a VENDA, o COMÉRCIO da imagem de uma entidade. O excesso de negativismo exposto em detrimento às conquistas. Nada é capaz de impressionar os fariseus e arautos que estão sempre dispostos a denegrir a imagem do meu clube. Dirá alguém oportunista: “mas o teu time, neste ano, está pela hora da morte.” É, neste ano. E nos outros? Sempre esteve assim?

Eles, os homens e mulheres da imprensa local, não são responsáveis pelas vitórias ou conquistas do meu clube. Nem mesmo pelas derrotas e fracassos. Eles são responsáveis é pela imagem, pela divulgação das notícias, pela encenação do fato e pelas versões. Eles é que vendem o peixe, que, para eles, está SEMPRE podre. E o cidadão comum quer saber o desempenho de seu clube pelo que os papéis, TVs e rádios informam. É neste ponto que a mídia local, ao invés de apenas desempenhar o seu papel, exercer o ofício ao qual é destinada, mente, aumenta, inventa, policia, corrói, distorce e incita o que dizem ser apenas um comentário isento, ou uma veiculação fria. Não é. Nunca foi.

É rasteiro e subliminar, assim, repercutir o que diz a mídia nacional. Lá fora eles apenas repetem o que dizemos aqui. Tem pouco ou quase nenhum motivo para ser bonzinhos ou mauzinhos conosco, à exceção de um ou outro jornalista mais atento. Quem sabe do seu quintal é a gente que vive nele. Portanto, não procede, dessa forma, alavancar um latente complexo de vira-latas impregnado em nossa pele, que permeia pelos corredores, o de que os “de fora” são melhores que os meus.

As minhas dúvidas para essa “blindagem” da mídia local continuam e, penso, não serão respondidas a contento. Tenho suspeitas, mas são divagações. Só não imagino que haja interesses estranhos. Sinceramente, aí, repito, seria maior a minha decepção.

Ah, o título não tem a ver com o conteúdo do texto? Tem, sim. É uma das regras do bom senso, que, seguindo a ótica cartesiana, às vezes falta na sociedade por inteiro.

2 comentários:

  1. Gilberto disse...:

    Alexandre,
    Por causa dessa diferença de tratamento é que deixei de acessar o site do ClicRBS. Pode não ser nada mas é meu posicionamento. Além do mais, a imprensa esportiva em todos o Brasil, em cada região e Estado é "bairrista". Mas a nossa "imprensa esportiva" quer passar a imagem de imparcialidade. Então, por exemplo: a bola na mão ou mão na bola do atacante do Goiás passará rapidamente nos jornais e pouco será discutida. Mas se fosse uma mão na bola ou bola na mão de um atacante do Avaí, te garanto que a imprensa esportiva de Goiás (e talvez a nossa também) passaria alguns dias discutindo o assunto e mostrando a imagem repetidas vezes ...
    Mas fazer o quê? Infelizmente, tenho que aspirar a fumaça do cigarro de quem não respeita o direito alheio ...

  1. Ainda bem que tu entendes a minha retórica, Gilberto. É bom contar com gente inteligente. O que anda por aí é duro de matar.
    Então, a minha crítica para com a mídia é exatamente essa. Eles não valorizam o porduto que tem nas mãos. Ou, melhor, não valorizam o Avaí.
    As fases são ruins? Claro que sim, mas vá ver se no Rio a mídia não baba o Flamengo, o Botafogo. O Fluminense no ano passado foi loouvado até dizer chega. O Vasco, quando caiu, eram só aplausos, festa, incentivo.
    Não quero ninguém fazendo isso aqui, mas apenas valorizar o que é nosso.

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