E Marquinhos subiu no telhado...

terça-feira, 31 de maio de 2011

A vaia é algo absoluto. A vaia é poderosa. É definitiva. A partir de uma vaia há um divisor, uma separação de momentos. As águas se arredam. A vaia significa desprezo, “não te quero mais aqui”. Os incomodados, de ambas as partes, tomam os seus caminhos e seguem cada qual a sua sina. Porém, fica a mágoa e o ressentimento, coisas que nunca mais se acertam. Nem o tempo cura. A vaia dada ao Marquinhos foi implacável. Depois de todas as socializações na Ressacada socializamos a estupidez.

Claro que estou falando de uma vaia dada a um amigo, a um companheiro, a um ídolo, não uma vaia a um jogador comum. A mesma relação de um pai vaiando um filho, de um irmão vaiando outro. A vaia desarruma, incomoda, ressalta diferenças, empobrece a amizade. A vaia sela, para pior, um relacionamento.

No último sábado eu, assim como alguns outros torcedores, nos sentimos envergonhados pela vaia dada a Marquinhos. Naquele momento, quando ele saiu de campo, onde talvez tenha sido a última vez que vestiu a camisa do Avaí, senti tristeza. Pura melancolia. Me incomodei, achei injusto, não é assim que as coisas funcionam. 

Vaiar um amigo é o mesmo que jogar uma pedra na própria cabeça. Quando vaiamos alguém muito próximo, estamos decretando que somos melhores, maiores, mais perfeitos. Que somos os tais. Não, não somos. Os amigos estão sempre no mesmo barco. O desrespeito ao semelhante é imperdoável.

Vaiar um amigo é o mesmo que negar-lhe as mãos quando está em dificuldades. Viramos-lhe as costas no momento em que ele mais precisa.

Marquinhos, certamente, continuará a torcer pelo Avaí. Uma paixão arrefece, mas nunca morre. Contudo, dificilmente deverá voltar a envergar a camisa do Leão por um jogo oficial. Não me importa, por isso, se para a sua saída houve blefe, armação, que se tenha arrumado uma pantomima. Matamos uma relação por pura falta de paciência com o ídolo, essa é a verdade. Pois a vaia ao Marquinhos não começou agora, não foi neste jogo de Sábado. Já vem de meses, é um incômodo geral que foi canalizado no nosso ídolo, escolhido para bode expiatório de todas as mazelas que nos acompanham.

As palavras, dessa maneira, assim como as vaias, saem fáceis. Deságuam como riacho ribanceira abaixo. Chamam-se hipócritas pra lá, mercenários pra cá, como uma turba vândala. Não, não é assim que funciona. Qualquer alegação que se faça, qualquer justificativa, para mim, é mato.

Curioso é que nessa história toda somos capazes de perdoar alguém que chutou o nosso cachorro morto, que tripudiou sobre nossa história, que vive abusando de sua vaidade para um projeto pessoal, mas não somos capazes de entender o Marquinhos. A razão de ele ter jogado mal em algumas partidas. 

Curioso, ainda, é perceber que o ídolo do rival jamais é questionado ou tenha sua condição de jogador posta em dúvida por sua torcida. Jogou menos tempo do que permaneceu em tratamento e, ainda assim, é louvado.  Nós, que nos consideramos os melhores, a maior torcida, mais isso ou mais aquilo, não somos capazes de tal capacidade de abraço e consideração a um declaradamente nosso. Somos grandes em tamanho, mas pequenos em compreensão.

Que pena, torcida avaiana, pela vaia ao Marquinhos. Há uma cicatriz na Ressacada, que a partir de agora não será mais a mesma. Falta um ídolo.

15 comentários:

  1. Kk de Paula disse...:

    Perfeito! Estava lá e fiquei muito triste.

  1. GiSevero disse...:

    Eu concordo com tudo que dizes, mas o M10 precisa ter a maturidade de entender que a vaia não foi da TORCIDA e sim de "alguns" torcedores...

    Cicatriz por cicatriz quem esperava que ele seria o salvador da pátria e transformaria o AVAÍ no Santos também tem...
    Geraram uma expectativa enorme no torcedor que aabou não se concretizando...
    Não justifica, mas explica.
    Da minha parte, que não estava lá, fica a indignação e a tristeza...

  1. Eron Elias disse...:

    Não concordo com vaias para o Marquinho nem para niguém, porém, ele não deveria ter entrado em campo naquela noite, pouparia as vaias de alguns e a vergonha de tantos outros, errou.
    Eron

  1. Boto disse...:

    Concordaria com você se o fato de o próprio Marquinhos admitir que jogou sem tesão algum neste último jogo, o que leva a eu refletir e pensar no jogo contra o Vasco, que o Marquinhos parecia um cone dentro de campo.

    No jogo contra o Vasco, lá no final do primeiro tempo, quando o M10 pegava a bola, ouvi um bando do setor D vaiando e xinguei até a ultima geração destes torcedores, mas hoje, com a declaração do próprio M10, fico com a dúvida que o nosso "amigo" poderia ter sido mais companheiro com a torcida e com os próprios jogadores e dito "não jogo, porque não tenho cabeça pra isso agora".

    Sou contra a vaia, mas não tiro a razão deles não.

  1. Concordo com o Boto; Jogador que está prestes a sair/negociar NÃO deveria nem entrar em campo. E Silas prá piorar ainda tira o cara no jogo... Sacar o M10 no intervalo seria mais elegante e evitaria as vaias...

  1. Kaka, a tristeza foi geral.

  1. Gi, nessa hora não dá para dizer que foi mo Joãozinho ou a Mariazinha que vaiou. Todos acabam levadno a culpa.
    A respeito da expectativa, todos temos quando um jogador é bom.
    O fato é que não foi apenas o bom ou mal futebol de Marquinhos que deu errado, mas um somatório de coisas. No final, parece que só ele levou a culpa.

  1. Eron, concordo contigo, mas isso é difícil de prever. Ele poderia entrar, fazer uma bela partida e a história seria outra. Futebol não e matemática, velho.

  1. Boto, a vaia é a gota d' água para uma situação definitiva. Mas, existem casos e casos.

  1. Dinho, acabastes chegando aonde eu queria: Silas.

  1. RODRIGO disse...:

    Caro Alexandre quando ele saiu de campo Sábado eu e meu amigo de blog Anderson levantamos e o aplaudimos. Entendo que todos tem direito de se manifestar da maneira que achar melhor, mas eu o aplaudi como todas as outras vezes. Primeiro porque marquinhos é meu amigo, segundo porque ele joga muito e terceiro porque me deu muitas alegrias... Um grande abraço e parabéns pelo texto!

  1. Rodrigo, idem, idem e idem.

  1. Anônimo disse...:

    Para!

    Primeiro que ele não e' teu amigo. Não vem com essa.

    Segundo que ele esnobou aqueles que o vaiaram, sem considerar que eram os mesmos que sempre o aplaudiam mesmo qdo jogava mal mas estavam decepcionados com a sua saída do clube.

    Terceiro. O próprio jogador admitiu que nos dois últimos jogos so o corpo estava em campo. Aí vai querer culpar a torcida???

    Certamente o querido filosofo deste blog não ira publicar meu post assim como o fez qdo. O critiquei pela campanha mesquinha que esta fazendo contra o técnico Silas.

    "menas" mo querido

    Silvio

  1. Meu querido Silvio, se quiser me insultar, fique à vontade. Houve um tempo que eu podava a palavra, mas agora eu deixo exposta, para que os outros apreciem a educação alheia. Por isso, não me lembro de haver apagado qualquer contraponto ou manifestação contrária à minha opinião a respeito do técnico do Avaí.

    Sobre ser filósofo, olha, eu procuro escrever dentro da norma culta do português, que é a língua falada no meu país. Se você não entendeu alguma coisa, consulte um dicionário, ou estude um pouco mais.

    A respeito de ser amigo, depende do que você considera amigo. Eu considero o presidetne Lula meu amigo, embora nunca tenha tido contato pessoal com ele. Serve?

    Se o Marquinhos esnobou os que o vaiaram, fez muito bem. Experimente errar no seu local de trabalho, cometer um ato falho e seus amigos e colegas começarem a te vaiar, a te insultar toda a vez que você entrar no lugar. Qual será a tua sensação.

    Sobre ele entrar de corpo mole, quantas vezes ele pediu alguém para jogar ao lado e o todo poderoso senhor Paulo Silas nem aí pra ele? Uma hora cansa, mano.

  1. Anônimo disse...:

    De forma alguma lhe insultei. Agora, concordo que seu ponto de vista e' bem flexível (uma vez que chama de amigos, pessoas que sequer lhe conhecem). Mas agora entendi seu comentário.

    E o sr, sim, deixou de publicar um comentário meu a respeito de sua campanha contra o técnico Silas.

    Bem próxima alias, daquilo que vc mesmo condena que e' criticar o cidadão no seu local de trabalho.

    Art.
    Silvio

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