Paixão a preços módicos

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A relação torcedor-Avaí está estremecida há algum tempo. Isso é inegável. E um dos principais motivos disso é a política dos preços cobrados na Ressacada. Qualquer pessoa, que não precisa ser assim muito lúcida, concorda com isso. São mais caros, proporcionalmente, que os cobrados na Europa e mesmo na Copa do Mundo. Numa cidade como Florianópolis, de classe média baixa, de assalariados, exigir uma bufunfa dessas é tolice. Dificilmente pagará para isso quem não estiver disposto. E os que estão pagando sabem muito bem o quanto isso dói na algibeira.

Mas a alegação para diminuir os preços parte de um princípio estranho, de que, assim, a torcida vai freqüentar o estádio com mais assiduidade. Que a preços populares algumas arquibancadas estarão sempre cheias, que com preços bem abaixo dos cobrados em outros eventos privilegiaríamos os de baixa renda e, por fim, tiraríamos os assinantes de PPV de casa, cujo preço é mais em conta, etc, etc.

Eu, particularmente, não concordo com isso. Não com a queda do “investimento” para ir à Ressacada. Sempre fui favorável a uma revisão da tabela com um preço mais camarada. Mas, o que me incomoda é essa alegação da contrapartida.

- Diminui que a gente vai.

Conversa! Papo para pôr filhotes da vaca no berço. Não, não vai!

A maioria de nossa torcida fica em casa e só vai na boa mesmo. O torcedor avaiano sempre acha um motivo para não ir, essa é a verdade. Somos uma torcida de uns 4 ou 5 mil esforçados que vai em todas. Os outros avaianos da cidade ficam em casa, coçando o gigante adormecido ou andando de pantufas pelos quartos. E agora a média tem baixado exatamente porque os jogos jogados em nosso belo reduto são deprimentes, um atentado ao bom futebol. Quando aumenta o público é porque temos o rival pela frente, ou um grande do futebol brasileiro. Contudo, flutua sempre naquela mesma média. Duvido que neste jogo de domingo contra o São Paulo haveria mais do que 5 mil pagantes se fosse um América Mineiro ou um Atlético Goianiense, mesmo com a tal promoção que deu panos pra manga.

A exigência de preços baixos não é para safar aquele leite das crianças, ou reclamar que tem que pagar um cervejinha ali na Toca, como alegam alguns, mas porque uns e outros modinhas querem ver Vasco, Flamengo, Curintia, São Paulo ou Palmeiras, e pagando bem menos.

O problema de tudo isso não é apenas abaixar os preços para os modinhas ou aumentar para os visitantes, mas melhorar o relacionamento com os fiéis e loucos que vão desde Flamengo até Itabaiana. Os que não largam o osso seja na série B, C ou sem série. O sócio-torcedor.

Só precisa ficar claro que eu não faço babação pra torcedor, pra jogador e nem pra diretor. Faço as devidas reverências a quem merece, apenas isso.
 
O meu foco é o Avaí como um todo, cada qual fazendo a sua parte. Jogador que quer aparecer não conte comigo. Diretor que põe a vaidade acima dos interesses da coletividade avaiana vai tomar carrinho por trás. E torcedor que quer ser mais realista do que o rei eu dou voadeira. O que importa é o Avaí, cada um no seu quadrado.

Por isso, reafirmo que o Avaí deve explorar é a fidelização do seu torcedor, os cabras que sempre estavam lá, os verdadeiros torcedores, os 4, 5, 6 mil que vão desde sempre. Uma campanha de sócios honesta, para torcedores mesmo, não uma subvenção pra comprar camisa, ou receber a revista em casa. Com diferenças para familiares que passarão a acompanhar o seqüelado que pega chuva sozinho. Participação, como sócio, de decisões internas, ter um canal informativo mais incisivo, mais interatividade com o torcedor, fazer a Ressacada ser a 2a. casa do sócio-torcedor, tornar o cara importante com promoções, eventos, ou seja, o Avaí fazer o sujeito se sentir importante por estar ajudando o clube a conquistar mais espaços. Esqueçam os modinhas e os oportunistas.

Pagar, todo mundo vai ter que pagar por alguma coisa na vida, mas um torcedor tem que sentir que está pagando para ajudar ao clube, não sendo um simples comprador de carne no açougue. Não fazendo promoçõezinhas chinfrins que atentam contra a inteligência do torcedor, como se torcer fosse uma liquidação de inverno. O sócio-torcedor, o fiel depositário de sonhos, esse está sendo desprezado. E o curioso é que este não se afasta, por mais que apanhe.

A preferência, dentro da Ressacada, é pelo dinheiro fácil e não para a paixão, coisa que é permanente e intransferível.

De um vez por todas é preciso rever essa relação de comércio, pois não se compra uma paixão.

1 comentários:

  1. Por isso que não entendo quando eles falam sobre "crescimento" no clube. Um clube só cresce se a sua torcida cresce também, e convenhamos, no caso estão espantando o torcedor em vez de chamá-lo de volta ao estádio. Por outro lado, também concordo plenamente com você, tem torcedor que só vai mesmo quando as coisas estão bem, esses NÃO tem nem o direito de reclamar de preços. Fiéis mesmo, são só uns 4, 5 mil, por aí...

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